Month: dezembro 2019

RISCOS DAS VIAGENS LONGAS DE AVIÃO

Márcio A. Steinbruch

     Férias…É bom saber!

     Poucos sabem dos riscos vasculares inerentes às viagens longas de avião.

Por vivermos em posição ereta, o sangue utilizado pelas pernas, para seu retorno ao coração, deverá subir pelas veias contra a gravidade, sendo impulsionado neste sentido por mecanismos de bombeamento que utilizam a musculatura da panturrilha (“barriga da perna”) e válvulas no interior das veias, para que o sangue não volte para baixo.

Um defeito nestas válvulas ou situações que exijam a permanência prolongada em pé ou sentado sem se mexer faz com que o sangue suba mais devagar, aumentando assim a pressão no interior das veias. Como as veias das pernas aguentam uma pressão criada pela gravidade, se não houver movimentação das panturrilhas haverá uma “parada” do sangue nelas, propiciando sua coagulação. Isto é a trombose venosa que é a formação de coágulos dentro das veias e que promovem sua obstrução.

As oclusões maiores podem levar a uma série de sintomas tais como dor, inchaço e calor, já oclusões menores podem passar despercebidas. Os membros inferiores são os locais onde mais frequentemente ocorrem as tromboses venosas.

Quando acometem o sistema venoso profundo é chamada de trombose venosa profunda (TVP) e é associada ao risco elevado de embolia pulmonar. Esta ocorre quando um coágulo se desprende do local onde foi formado e migra causando a obstrução de vasos do pulmão impossibilitando a correta troca gasosa entre o sangue e o ar nos pulmões.

A embolia pulmonar é um problema que traz alto risco de vida. Dependendo do tamanho da obstrução na circulação pulmonar, podemos ter desde uma leve falta de ar súbita até uma dispneia grave.

aviaçaoTem maior risco de desenvolver uma trombose venosa, pessoas com mais de 40 anos de idade (principalmente acima de 60 anos), obesos, com história de doença venosa principalmente varizes nas pernas, gravidez e pós-parto, tabagismo, trauma e/ou cirurgia recente (sobretudo em membros inferiores), imobilidade prolongada, trombofilias (doenças que levam a um aumento da coagulação sanguínea e que, em alguns casos, podem passar por muito tempo assintomáticas), história familiar e o uso de reposição hormonal ou pílulas anticoncepcionais.

 As companhias aéreas colocam muitos assentos na classe econômica, diminuindo o espaço para as pernas e obrigando os passageiros a se manterem praticamente imóveis durante a viagem. Com isso tem ocorrido um grande número de fenômenos trombóticos em muitos voos.

Os principais fatores de risco são: ficar sentado por períodos superiores a 4 horas, em assentos apertados que comprimam os membros inferiores (especialmente a região das panturrilhas), desidratação por baixa ingestão de líquidos, excesso de álcool (algumas pessoas usam bebidas alcoolicas para “relaxar” durante o percurso….) ou pela baixa umidade da cabine do avião e veias varicosas nos membros inferiores. Há casos de pessoas jovens, sem qualquer patologia, e que, viajando mesmo de primeira classe também apresentaram a doença.

          Algumas medidas simples podem ser muito úteis na sua próxima viagem:

– Caminhe durante a viagem. Tente levantar-se e andar ao menos por cinco minutos a cada hora. Caso não seja possível, tente simular uma caminhada com movimentos em suas pernas. Assim, você ajuda o sangue circular melhor e diminui o risco de trombose;

– Evite desidratação; esta condição provoca constrição dos vasos sanguíneos e hemoconcentração (o sangue “engrossa”). Assim, evite bebidas alcoólicas em excesso e mantenha uma ingestão líquida apropriada;

– Se a aspirina (AAS) não lhe faz mal tome algo em torno de 250 mg (meio comprimido de adulto) um pouco antes da partida. A aspirina inibe o processo de formação de coágulos sanguíneos;

– Use meias elásticas medicinais. Elas melhoram o fluxo sanguíneo venoso e diminuem a possibilidade de trombose venosa.

A melhor prevenção para uma viagem longa é passar em consulta com um cirurgião vascular para uma avaliação e, se necessário, terá indicação da melhor profilaxia. Assim fará uma boa viagem.

Se retornar de viagem com inchaço nas pernas também é importante visitar um especialista.

VARIZES NOS MEMBROS INFERIORES

Márcio A. Steinbruch

As varizes nos membros inferiores são veias anormais e permanentemente dilatadas e tortuosas, que podem levar a alterações em certos componentes do sangue, em seu fluxo de retorno. Surgem devido à predisposição genética, que compromete a estrutura das paredes dessas veias ou de suas válvulas (varizes primárias). Podem ocorrer também por causa de outros problemas, como tromboses, traumatismos e angiodisplasias.

Os sintomas mais comuns são a sensação de peso e cansaço nas pernas, especialmente ao final do dia, mais para indivíduos que trabalham por muitas horas de pé. Outros sintomas e sinais como queimação, ardência, inchaço e manchas escuras nas pernas também podem estar associadas às varizes.

Não existe uma forma segura de se evitar o problema varicoso, uma vez que ele está baseado em predisposição genética. Entretanto, o uso de calçados e roupas adequadas, o controle de peso corporal, o uso de meias elásticas, a não permanência de pé por períodos prolongados, repouso e exercícios físicos regulares, aliados a uma alimentação equilibrada, podem atenuar ou adiar o desenvolvimento de varizes ou evitar a piora dos sintomas, mas, isoladamente, a importância de cada um é menor do que em conjunto.

O tratamento das varizes só deve ser realizado por médico especialista, ou seja, angiologista ou cirurgião vascular. O tratamento cirúrgico está indicado para os casos de varizes maiores e mais calibrosas. As “microvarizes” (telangectasias) e varicosidades (veias finais) podem ser tratadas com injeções esclerosantes e laser.

A indicação e o tipo de tratamento mais adequado para cada caso dependem de avaliação médica especializada. Sem tratamento, pode haver piora progressiva da doença, com aparecimento de edema (inchação), hiperpigmentações (manchas) e até de úlceras (feridas).

Agora, vou abordar um tema que me chama muita atenção. As flebites e tromboses venosas são decorrentes da coagulação do seu sangue no interior das veias e suas consequentes inflamações. Podem acometer as veias superficiais, normalmente com evolução mais favorável, ou as veias mais profundas (trombose venosa profunda). A trombose venosa profunda é mais grave e requer tratamento mais intenso. A tromboflebite pode ocorrer quando está presente pelo menos um desses três fatores:

var

* Alterações nos componentes do sangue (problemas genéticos, medicamentos, desidratação e doenças diversas);

* Alterações no fluxo do sangue (varizes, compressões externas, ficar acamado por tempo muito prolongado e problemas cardíacos);

* Alterações ou irregularidades nas paredes dos vasos (trauma, esmagamento e lesão por injeção de medicamentos).

O risco de trombose pode ser agravado pelo uso de hormônios (terapia de reposição hormonal e anticoncepcionais), posições viciosas (permanecer por muito tempo sentado como em viagens aéreas e terrestres). Alguns procedimentos cirúrgicos ou doenças que exijam longos períodos no leito também podem ser um fator agravante.

O diagnóstico nem sempre é fácil e, algumas vezes, acaba sendo feito quando as complicações aparecem. Entretanto, o tratamento imediato e correto, em geral, tem um prognóstico bastante favorável. Para aumentar sua proteção contra a trombose, faça uma avaliação periódica com seu angiologista ou cirurgião vascular.

Saiba mais:        

infotube