REALIDADE AUMENTADA NA MEDICINA MODERNA
Posted on: 18 de novembro de 2015

Márcio Steinbruch

Realidade Aumentada (RA) é a sobreposição de informações virtuais a visualizações do mundo real. Está ligada ao uso de vídeos transmitidos ao vivo, digitalmente processados e “ampliados” pela adição de gráficos criados por computador. 

É um ambiente que envolve tanto realidade virtual como elementos do mundo real, criando um ambiente misto em tempo real. Por exemplo, um usuário da Realidade Aumentada pode utilizar óculos translúcidos e, através destes, ver o mundo real bem como imagens geradas por computador projetadas no mundo.

fig1

Fig.1: Exemplo de realidade aumentada: Sobreposição de gráficos virtuais gerados por computador a uma imagem real em tempo real.

E

Entre a realidade virtual (que cria ambientes gerados por computador) e o mundo real, a realidade aumentada está mais próxima do mundo real. Ela adiciona gráficos ao mundo natural como ele é. 

Na medicina, a aplicação prática da realidade aumentada é, principalmente, na punção venosa. Em pacientes com “veias difíceis”, ele se transforma em uma arma poderosa para acabar com o sofrimento de pegar uma veia, seja para colher sangue ou aplicação de soro. Mostra-se ainda mais útil em crianças.

gig3

Fig. 2: Visualização de uma veia para punção.Por meio do VeinViwer® – Equipamento que utiliza a tecnologia da Realidade Aumentada.

 

Na área do tratamento de varizes, a Realidade Aumentada é usada para melhorar a acuidade diagnóstica, tanto na procura de veias nutrícias, bem como no mapeamento pré-cirurgia de varizes. As veias nutrícias são as microvarizes que alimentam as telangiectasias (vasinhos) e as mantêm dificultando o resultado estético no seu tratamento escleroterápico. Elas não são facilmente identificadas em grande número de casos.

A realidade aumentada permite a visualização de veias que são muito superficiais para o ultrassom e muito profundas para o olho nu. 

Fig. 3: Telangiectasias em face lateral de coxa, com dificuldade de visualização das veias nutrícias (também chamadas de varizes reticulares ou, simplesmente, microvarizes).

.

O equipamento filma o local com luz infravermelha. A imagem é processada em computador e projetada em tempo real na mesma área que se está examinando. Com isso, pode-se delinear veias que não são visíveis a olho nu e que alimentam as telangiectasias (vasinhos).

Fig. 4: Visão das veias nutrícias (microvarizes) através de aparelho de Realidade Aumentada.

.

Entre os transtornos vasculares mais comuns estão aqueles capilares que, ao se expandirem, lembram teias de aranha ou galhos de árvores vermelhos ou arroxeados, São as telangiectasias. Elas não são apenas um problema estético, pois se não forem tratadas podem crescer e, em uma fase mais tardia, até causar sangramentos. Também podem indicam que algumas veias não estão funcionando adequadamente.  

O tratamento completo consiste em associar a escleroterapia (aplicações) e o laser. 

A escleroterapia já é reconhecida pelo alto índice de bons resultados, pois vem sendo usada há muitos anos sem restrições. Consiste em se fazer aplicações de um líquido esclerosante no interior destes vasos. Por um processo de irritação, eles serão absorvidos pelo organismo, sumindo do local. Dependendo do esclerosante empregado, o paciente poderá tomar sol durante o tratamento (a solução de glicose a 75% é a mais utilizada e raramente traz alguma complicação). 

Mais recentemente surgiu a  crioescleroterapia, que consiste no resfriamento do medicamento até cerca de -30ºC a -40ºC.  Age por mais tempo no local, aumentando sua eficácia. O tratamento é feito no consultório. O número de sessões vai depender da extensão do problema e da reação do organismo. Não há restrição à idade nem tonalidade de pele. Após a aplicação, a pessoa pode tomar sol e fazer atividades físicas moderadas. Esta modalidade é mais bem empregada no tratamento de telangiectasias um pouco mais calibrosas e resistentes a outras técnicas, prevenindo, assim, a formação de microvarizes.

LASER – Consiste em utilizarmos uma luz muito intensa sobre o vaso, fazendo com que ele desapareça. Porém, não substitui a escleroterapia; é mais uma aliada como ferramenta para o tratamento.

O laser atravessa a nossa pele sem lesá-la e é absorvido pela parede do vaso, queimando sua camada interna. Isso faz com que este vaso seja absorvido pelo organismo, ou seja, desapareça. 

Com a evolução do laser (cada tipo tem uma frequência distinta), hoje se utiliza um tamanho de onda (1.064 nm) que não causa danos à pele, mesmo nas morenas e/ou bronzeadas. 

Quaisquer dos tratamentos acima não são muito eficazes na situação em que existam microvarizes (veias nutrícias) alimentando as telangiectasias.

Deve-se proceder à sua eliminação antes, para aí sim efetuar o tratamento das telangiectasias.

   

Fig. 5: Telangiectasias em face lateral de coxa /  Veias nutrícias (microvarizes) demarcadas após uso de aparelho de realidade aumentada.

 

  
Fig. 6: Nuvem de telangiectasias  /    Imagem das veias nutrícias.

 

Guiada pela Realidade Aumentada se faz a associação do laser e crioescleroterapia em pequenas veias varicosas (até 3 a 4mm) que alimentam as telangiectasias, evitando-se em muitos casos a cirurgia. 

Com toda esta tecnologia o tratamento se torna mais rápido e menos invasivo, o que é uma boa notícia para quem tem pouco tempo para se tratar ou resolve se cuidar em cima da hora no verão.

Os resultados estéticos são melhores e previne-se a evolução de algumas varizes que poderiam causar complicações tardias. 

O mais correto é sempre consultar um cirurgião vascular para fazer um diagnóstico preciso e tratar estas pequenas varizes antes das telangiectasias.

Existem modernos exames de imagem, tais como o ecocolordoppler que auxilia em diagnósticos mais precoces e nos dá conta da extensão do problema, a transiluminação e, mais recentemente, a Realidade Aumentada. 

 

 

One thought on “REALIDADE AUMENTADA NA MEDICINA MODERNA

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *