RISCOS DAS VIAGENS LONGAS DE AVIÃO
Posted on: 16 de novembro de 2015

Márcio A. Steinbruch

     Férias…É bom saber!

     Poucos sabem dos riscos vasculares inerentes às viagens longas de avião.

Por vivermos em posição ereta, o sangue utilizado pelas pernas, para seu retorno ao coração, deverá subir pelas veias contra a gravidade, sendo impulsionado neste sentido por mecanismos de bombeamento que utilizam a musculatura da panturrilha (“barriga da perna”) e válvulas no interior das veias, para que o sangue não volte para baixo.

Um defeito nestas válvulas ou situações que exijam a permanência prolongada em pé ou sentado sem se mexer faz com que o sangue suba mais devagar, aumentando assim a pressão no interior das veias. Como as veias das pernas aguentam uma pressão criada pela gravidade, se não houver movimentação das panturrilhas haverá uma “parada” do sangue nelas, propiciando sua coagulação. Isto é a trombose venosa que é a formação de coágulos dentro das veias e que promovem sua obstrução.

As oclusões maiores podem levar a uma série de sintomas tais como dor, inchaço e calor, já oclusões menores podem passar despercebidas. Os membros inferiores são os locais onde mais frequentemente ocorrem as tromboses venosas.

Quando acometem o sistema venoso profundo é chamada de trombose venosa profunda (TVP) e é associada ao risco elevado de embolia pulmonar. Esta ocorre quando um coágulo se desprende do local onde foi formado e migra causando a obstrução de vasos do pulmão impossibilitando a correta troca gasosa entre o sangue e o ar nos pulmões.

A embolia pulmonar é um problema que traz alto risco de vida. Dependendo do tamanho da obstrução na circulação pulmonar, podemos ter desde uma leve falta de ar súbita até uma dispneia grave.

aviaçaoTem maior risco de desenvolver uma trombose venosa, pessoas com mais de 40 anos de idade (principalmente acima de 60 anos), obesos, com história de doença venosa principalmente varizes nas pernas, gravidez e pós-parto, tabagismo, trauma e/ou cirurgia recente (sobretudo em membros inferiores), imobilidade prolongada, trombofilias (doenças que levam a um aumento da coagulação sanguínea e que, em alguns casos, podem passar por muito tempo assintomáticas), história familiar e o uso de reposição hormonal ou pílulas anticoncepcionais.

 As companhias aéreas colocam muitos assentos na classe econômica, diminuindo o espaço para as pernas e obrigando os passageiros a se manterem praticamente imóveis durante a viagem. Com isso tem ocorrido um grande número de fenômenos trombóticos em muitos voos.

Os principais fatores de risco são: ficar sentado por períodos superiores a 4 horas, em assentos apertados que comprimam os membros inferiores (especialmente a região das panturrilhas), desidratação por baixa ingestão de líquidos, excesso de álcool (algumas pessoas usam bebidas alcoolicas para “relaxar” durante o percurso….) ou pela baixa umidade da cabine do avião e veias varicosas nos membros inferiores. Há casos de pessoas jovens, sem qualquer patologia, e que, viajando mesmo de primeira classe também apresentaram a doença.

          Algumas medidas simples podem ser muito úteis na sua próxima viagem:

– Caminhe durante a viagem. Tente levantar-se e andar ao menos por cinco minutos a cada hora. Caso não seja possível, tente simular uma caminhada com movimentos em suas pernas. Assim, você ajuda o sangue circular melhor e diminui o risco de trombose;

– Evite desidratação; esta condição provoca constrição dos vasos sanguíneos e hemoconcentração (o sangue “engrossa”). Assim, evite bebidas alcoólicas em excesso e mantenha uma ingestão líquida apropriada;

– Se a aspirina (AAS) não lhe faz mal tome algo em torno de 250 mg (meio comprimido de adulto) um pouco antes da partida. A aspirina inibe o processo de formação de coágulos sanguíneos;

– Use meias elásticas medicinais. Elas melhoram o fluxo sanguíneo venoso e diminuem a possibilidade de trombose venosa.

A melhor prevenção para uma viagem longa é passar em consulta com um cirurgião vascular para uma avaliação e, se necessário, terá indicação da melhor profilaxia. Assim fará uma boa viagem.

Se retornar de viagem com inchaço nas pernas também é importante visitar um especialista.

24 thoughts on “RISCOS DAS VIAGENS LONGAS DE AVIÃO

  1. Fiz duas cirurgia pra retirar safena da perna esquerda. ..A 1`ficou parte da safena sendo necessário 2¤cirurgia;na qual foi retirada tbm uma veia na parte posterior “panturrilha”mas minha perna ainda incha muito. . Peguei trauma do médico e cirurgia.sinto como se tivesse um monte de bichinhos andando dentro da minha perna! !O que devo fazer,isso pode me trazer problemas no futuro?muito obrigado pela atenção. .Abraços. ..

    1. Cara Cássia,
      Você tratou cirurgicamente as varizes e, apesar do sofrimento, ainda persistem sintomas e edema. Minha sugestão é procurar um especialista e fazer novos exames para tentar descobrir a causa do edema. Assim poderá tratar adequadamente. Não tenha trauma da cirurgia, pois hoje em dia, com toda tecnologia que temos, ela é minimamente invasiva. Quanto à sensação de ter “bichinhos” andando, pode estar relacionada a problemas neurológicos. Entenda que qualquer diagnóstico tem que ser feito através de exame físico. Aqui apenas posso dar sugestões.
      Quaisquer dúvidas, estou à disposição.
      Márcio Steinbruch.

  2. Boa noite dr!
    Fui acometida de TVP MIE, medicada por 3 meses e o coagulo desapareceu, o que fez com que o médico suspendesse a medicação (Xarelto), no entanto após 3 meses sem a medicação sofri outra TVP MIE.

    A primeira ocorrência de TVP deveria ter sido tratada por mais tempo mesmo o coagulo tendo desaparecido?
    * obs: 29 anos e histórico familiar.

    A reincidida de TVP foi há um mês, já posso fazer atividades físicas, caminhar ou nadar? Ainda há risco de embolia pulmonar?

    Desde já agradeço.

    att

    1. Boa noite, Leticia. Normalmente a terapia de anticoagulação é utilizada por cerca de 3 meses. Após exames mostrando que houve melhora do quadro, a terapia pode ser descontinuada. Porém, você foi acometida por uma recidiva ou retrombose. Aí, a situação muda. A terapia deve ser mais longa e há necessidade de se investigar possíveis causas para a trombose. Entre elas, a trombofilia. Após um mês da ocorrência, pode levar uma vida normal. Usando as meias elásticas. Com 29 anos, sugiro uma investigação um pouco mais profunda.
      Qualquer dúvida, estou à disposição.

  3. Olá, estou com trombose da veia do ovário direito, isso aconteceu há 8 meses após uma cesariana.
    Tomo afinador de sangue e tive o diagnóstico com muito custo, pois passeia muito mal durante 40 dias após o parto, indo e voltando do hospital, foi bem difícil, meu bebê teve que parar de mamar e eu ainda continuo inchada, pareço grávida ainda.
    A única resposta dos médicos para o meu problema foi “esperar”, esperar que o meu organismo faça alguma coisa. Estou assustada, tenho dois filhos pequenos e sei que a qualquer momento pode acontecer algum problema.
    Gostaria da sua opinião sobre esse acontecido.
    Grata
    Fabiana Paz

    1. Boa noite, Fabiana. Com a manipulação da cesariana não é raro complicações em cavidade abdominal. Uma delas é justamente a trombose de vasos abdominais. Se houve trombose em um vaso ovariano e o ovário está bem, não se preocupe. Este tipo de trombose não da embolia pulmonar. Tomando anticoagulante como proteção, em breve deverá haver recanalização deste vaso e tudo volta praticamente ao normal.

  4. Dr.tenho 47 anos e dia 19 de maio descobri que estava com trombose ,sou obeso .
    Quando foi no dia 23 tive alta e a partir daí tive a indicação de tomar xarelto de 15 e após 21 dias passar a tor mar xarelto de 20 de 12 em 12 horas …Dr a partir de quando posso fazer caminhada na esteira?
    Porque o alimento da doze?
    E quais os cuidados que ainda tenho que tomar ?
    Tenho que usar a meia nas duas pernas ?(tive só na perna direita)
    Muito grato Dr é um ótimo fim de semana!!!

    1. Boa noite. A conduta com Xarelto é tomar 15mg de 12/12 horas por 21 dias e depois passa-se a tomar 20mg/dia. Talvez por seu peso, tenham readequado a dose. Mas o usual é o que escrevi. Quanto a andar na esteira, já pode. A caminhada será muito boa para sua circulação. Afinal, já se passaram quase 30 dias da trombose. A meia, de fato, é melhor usar nas duas pernas. Primeiro pelo equilíbrio e, como involuntariamente se acaba forçando a outra perna, isso também a sobrecarrega. Meu conselho a você é que tente emagrecer e se movimente com mais frequência. Isso melhorará sua circulação.

  5. Bom dia dr.
    Sou reincidente de TVP. Estou investigando a causa! Deu positivo para Cardiolipina, mas falta o resultado FAN e os MTHFR C677T A 12998 C. Enfim, a medicação atual é Xarelto 20 mg, no entanto um dos médicos disse em confirmando as suspeitas de LES existem estudos que o Marevan é mais eficiente. Gostaria de saber que estudos são esses? Poderia enviar os artigos ou o link, caso seja livre, pra eu ler?!
    Além disso, estou apresentando muitos hematomas, li que pode ser uma reação adversa do Xarelto. A dosagem estaria muito alta?
    Pode acontecer a reabsorção do coagulo pelo corpo, desobstruindo a veia?! Caso sim, dentre os casos que o sr. já viu, qual é a média de tempo para que isso ocorra?!

  6. A minha tvp foi perto da virilia e uso a meia de perna inteira (o que é muito incomodo) .Se eu comprar a de 3/4 ela será funcional também ?

  7. A minha tvp foi perto da virilia e uso a meia de perna inteira (o que é muito incomodo) .Se eu comprar a de 3/4 ela será funcional também ?
    Terá eficácia ?

    1. Caro Vagner, a ação da meia elástica se dá na panturrilha, amplificando o bombeamento do sangue venoso.
      Se você usar meia 3/4, ajudará bastante e será suficiente para dar conforto.

  8. Boa noite dr. Tive tvp depois de um parto cesárea a um mês e estou fazendo o uso de xarelto o médico disse que tenho que tomar por seis meses de quanto em quanto tempo devo fazer o dolper?
    E o remédio deve ser suspenso só depois de exames?

    1. Boa noite, Joezia. Obrigado por escrever. Normalmente, durante o tratamento de Trombose, se realiza um novo Doppler após 3 meses. Repete-se após mais 3 meses. Dependendo das imagens, colhem-se exames laboratoriais e então se estuda a retirada do Xarelto. Portanto, tenha um pouquinho de paciência. Estou à disposição para esclarecer mais dúvidas. Marcio Steinbruch.

  9. Boa noite
    Tenho 66anos e portadora de doença de Behçet há 7 anos e hipertensa leve/moderada. Faço uso de atenolol,losartana.azatioprima,colchicina.tibolona,cálcio,vit D,colágeno e amitriptilina. Peso 67 kg e tenho 1,57 cm altura. Farei uma viagem aérea de 8hs. Já me inteirei sobre os cuidados que devo ter(exercícios,hidratação,meia elástica,etc). Gostaria de saber como devo fazer a profilaxia,por quanto tempo com o Xarelto (teria que fazer a profilaxia na ida e na volta,correto?)
    Obrigada

    1. Bom dia, Ivete. A profilaxia em viagens deve ser realizada na ida e na volta.
      As pesquisas clínicas demonstram que, para profilaxia medicamentosa em viagens longas, a indicação é o uso de heparina de baixo peso molecular em injeção subcutânea. Um exemplo é o Clexane. Não existem, até o momento, pesquisas usando o Xarelto para esta finalidade. O uso dele é empírico, chamado “off label”. Não faça uso destes ou de quaisquer outros medicamentos sem orientação de um médico em consulta presencial, pois a dose depende de cada paciente.
      Estou à disposição sempre que precisar.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *